segunda-feira, 2 de abril de 2012

A tecnologia nos gramados


       Os materiais têxteis são amplamente utilizados na área esportiva para melhorar o desempenho do atleta, alterando o ambiente, os equipamentos e as roupas utilizadas na prática esportiva. Muitos esportes possuem como ambiente de prática um campo gramado, entre eles o futebol, tênis, golfe, rúgbi e hóquei. A grama natural tem sido utilizada há muito tempo, mas em função dos danos que sofre e do seu longo tempo de recuperação, os jogadores têm o seu desempenho prejudicado devido à instabilidade do campo. Como alternativa para o problema de durabilidade da grama natural, foi desenvolvida na década de 60 a grama sintética, produzida em poliamida 6,6 com tecido de base em poliéster de alta resistência. Seus fios eram texturizados para melhorar a elasticidade e aumentar a densidade, facilitando a movimentação da bola (Adanur, S., 1995).


        Com as evoluções tecnológicas, as gramas sintéticas foram aperfeiçoadas de modo a atender satisfatoriamente todas as atividades praticadas em grama. As principais mudanças concernem ao material utilizado e ao tipo do fio. Atualmente, os fios são confeccionados de polietileno e de polipropileno, e podem ser do tipo fibrilado ou multifilamento. Os avanços permitiram o uso da grama sintética para o futebol de campo (que até então exigia o uso de grama natural) com aprovação da Fédération Internacionale de Football Association (FIFA). A escolha do tipo de fibra e fio depende da aplicação da grama, a começar pelo seu local de uso. Num ambiente externo (outdoor), por exemplo, a grama deve ter furos para drenagem da água. No processo de instalação, para melhor fixação e absorção de impacto, coloca-se sobre a grama areia, borracha moída ou ambos. Além disso, a justaposição das placas e sua união podem ser feitas por costuras ou adesivos, o que exige uma avaliação da resistência dessas emendas. No passado, os principais requisitos de uma grama eram a durabilidade, resistência à abrasão, resistência ao manchamento, facilidade de limpeza, resistência à degradação fotoquímica e resistência a fungos e insetos (biodegradação) (Adanur, S., 1995). Entretanto, com a evolução do material, surgiu a necessidade de não somente caracterizá-lo quanto à aparência e durabilidade, mas também de avaliar seu desempenho na interação com a bola e o atleta.
         Para o arquiteto Miguel Campanelli, a grande mudança foi a base compactada. Na Copa do Mundo de 1950, por exemplo, a base na construção de um gramado era feita de terra. “Isso engrossava o campo. Hoje temos máquinas de tecnologia avançada que compactam a base. O top soil também ajuda nesse sentido”, diz.
        Até 2014, segundo o arquiteto, todos os avanços tecnológicos (sistema de irrigação, drenagem e preparo da base) poderão atingir grandes padrões de qualidade. “Para 2014, estes padrões de qualidade devem ser efetivamente normatizados para que o resultado final atenda às expectativas do público”, afirma.
Um dos sistemas que poderá ser usado para a Copa de 2014 é o gramado móvel. Nesse, há uma lage de concreto que abriga várias placas móveis, sendo possível a retirada do gramado quando não tiver jogos. “Esse sistema é adotado para gramados naturais. São placas que possuem todas as camadas de um gramado natural normal, só que elas se movem”.

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